Segunda-feira, 26 de Março de 2012

 

“Cabo Verde na Lusofonia” é tema da exposição do artista plástico Fernando Morais, Nóia. A exposição decorre no Centro Cultural do Mindelo e enquadra-se na programação do Março - mês do teatro. O artista aplica, nesta exposição, uma técnica inovadora. A mostra reúne 12 quadros pintados com recurso a óleo sobre tela - fruto de um ano de trabalho. 

 

Nascido na ilha de São Vicente, Nóia, ganhou o gosto pela arte desde cedo. A primeira exposição aconteceu há 25 anos; aquando da escola primária. Nóia estudou Realização Plástica de Espectáculos, na Academia Contemporânea de Espectáculos, no Porto, Portugal. 

 

Noviactual percorre, agora, os corredores da mostra, na acompanhia do criador de “Cabo Verde na Lusofonia”. 

 

- Porquê este tema? 

 

Fernando Morais (Nóia): Por que se trata de um tema ainda por explorar em Cabo Verde resolvi aventurar-me. A exposição ainda está incompleta, pois tenho ainda algumas peças em construção. Na próxima exposição ficará mais completa.

 

- Foi moroso o processo criativo desta exposição?

 

Há um ano que estou a preparar esta exposição. No mês de Junho/Julho levei parte dessa exposição para Boa Vista enquadrado nas festas do município de Sal Rei, mas lamentavelmente tive um contratempo com a organização municipal e tive que vender parte das peças à turistas. Depois comecei tudo de novo com novas peças dentro do tema.

 

 

 

 

Inspiração e processo criativo

 

 

Fernando Morais (Nóia): Tudo me inspira, depende do estado de espírito. Qualquer coisa é suficiente para me inspirar.

 

- O que mudou no teu processo de criação?

 

Há quem diz que ‘mudam-se os tempos, mudam-se as vontades’. Houve tempo em que gostava de pintar paisagens, outros em que gostava de pintar nus, mas agora estou muito mais maduro na arte, pinto outros motivos os quais nem sempre as pessoas têm o hábito de apreciar no dia-a-dia. Gosto sempre de surpreender. Talvez algumas pessoas não se sintam surpresas. A maioria contudo está surpreendida, pelo menos, na parte técnica que aplico nesta exposição. É uma técnica inovadora, o que para mim é simplesmente um prelúdio para melhor. 

 

Nóia: um artista apioado pelos seus

 

- Com que patrocínios conta para esta exposição? 

 

Infelizmente ou felizmente eu é que patrocíno as minhas obras. Os meus familiares e amigos é que me apoiam. A mostra não é uma exposição venda, porque em São Vicente não se compram peças pelo menos da minha parte.

 

- Quer dizer que não há incentivos à arte em Cabo Verde?

 

A questão de apoiar é muito complicado. Não fomos educados para ser apreciadores. Os sucessivos governos não têm dado prioridade ao ensino da arte em Cabo Verde, por isso, não temos um povo apreciador da arte. 

 

- Já agora quando é que começaste a pintar?

 

Desde sempre, a minha primeira exposição foi há 25 anos, quando ainda andava na escola primária, de lá pra cá foi algo meio atabalhoado. Cinco, sete anos de pausa intermediando exposições. A última exposição que fiz foi há cinco anos na ilha do Sal e, tive bom resultado. 

 

O artista revela gostar de surpreender, por isso, traz em todas as suas exposições algo novo, invulgar; sempre com uma vertente educativa: “As minhas exposições têm sempre uma vertente educativa. Todos os visitantes aprendem sempre alguma coisa. No caso da ‘Lusofonia’, que é tema da exposição, há muito por contar. Infelizmente é uma história que não tem sido contada devido a cultura que não se ensina e por isso estamos perdendo muita coisa por essa falta de conhecimento transportado.“

 

Nesta entrevista ao Noviactual, o artista plástico mindelense, fala da exposição, patente do Centro Cultural do Mindelo, e das suas inquietações relativamente à arte em Cabo Verde. Nóia mostra-se descontente pela forma como a pintura está a ser vulgarizada: - “é que no tocante às artes plásticas, à pintura em si, merecem maior respeito. Tenho visto 'formadores' que dizem formar pessoas para ganhar vida nas artes plásticas, nomeadamente pintura. Acho que é uma forma de vulgarizar a arte, pois, a pintura é nobre, precisa de muito estudo e trabalho. Não é coisa para brincadeira como andam a fazer por aqui.” 

 

De se agendar que no próximo mês de Maio, Fernando Morais expõe “Cabo Verde na Lusofonia” na ilha de Santiago; nas cidades da Rª Grande de Santiago (Cidade Velha), Praia e Assomada.

 

Fonte: Noviactual



publicado por Elisângelo Ramos às 20:04
Quinta-feira, 08 de Março de 2012

Instituto Camões – Centro Cultural Português no Mindelo – activa cultura local, com bichos a invadirem a Praça e debates a exorcizar certos "medos" contemporâneos.

 

 

Por Elisângelo Ramos, no Mindelo

 

 

O programa é vasto e desta temporada contam-se, para lá, do teatro ao cinema, artes plásticas literatura, formação e – sem dúvida – conferências e debates. Trata-se, de acordo com informações enviadas às redacções pela C.C.P-Mindelo, da"continuação da dinâmica imprimida aqui em São Vicente como também na cidade da Praia desde que aqui chegamos".

 

Em declarações à nhaterra.com.cv a Directora do C.C.P-Mindelo, Ana Cordeiro, recusou que a crise por que passa Portugal possa intervir na realização das actividades programadas: "estamos a fazer parcerias com outras organizações da Cultura. Claro que estamos longe de ter os recursos dantes". Todavia, diz, "o que importa é que mantemos, como se pode depreender do cronograma, o mesmo ritmo".

 

"Como tem sido habitual nas últimas edições do Curso de Iniciação Teatral,desde há dois anos realizado em parceria com o Centro Cultural do Mindelo, os formandos invadem a Praça Nova do Mindelo com uma performance de expressão corporal. A pergunta de partida é: como se comportariam certos animais se, um dia, acordassem no corpo de gente? Como se deslocam? Como observam? Um momento mágico que transforma o espaço urbano da principal praça da cidade numa arena  para seres estranhos e enigmáticos". E acrescenta, "Enquadrado no programa Março – Mês do Teatro, os alunos do XIV Curso de  Iniciação Teatral terão as suas duas primeiras apresentações públicas. A primeira culmina um intenso atelier de Expressão Corporal; a segunda inaugura em Cabo Verde um estilo de interpretação que está a dar cartas

um pouco por todo o mundo".

 

Stand-up Comedy!

Uma apresentação única resultante de um desafio proposto aos alunos no sentido de desenvolver uma técnica de interpretação que pode no futuro ajudar a que o trabalho do actor/actriz tenha algum retorno financeiro. Este é um género de espectáculo que pode ser feito em locais como bares, restaurantes, hotéis, etc.  A proposta é simples: provocar o riso no público contando histórias na primeira pessoa. O termo inglês significa, na sua tradução literal: “comédia em pé” e é com um microfone e  uma personagem que o actor/actriz conta as suas aventuras, servindo na maioria das vezes de espelho da sociedade representada na plateia, que assiste e se diverte pelo fenómeno de identificação de situações quotidianas.

 

Colóquio:

Deportados políticos e Colónias

Penais em Cabo Verde

 

A promoção dos estudos de historiografia portuguesa e cabo-verdiana, tendo como objetivos incrementar o diálogo entre instituições e investigadores dos dois países, fortalecer o papel da Língua Portuguesa nos domínios da produção de conhecimento e da ciência e  contribuir para a consolidação de um diálogo contemporâneo entre os seus povos, há muito que constitui aposta deste Centro Cultural.  A criação pelo Centro, em 1995, da “Coleção Documentos para a História de Cabo Verde” (na qual foram já editadas 5 obras) e a realização de vários seminários e colóquios nesta área, o último dos quais por ocasião das comemorações do centenário da República, deram corpo a esses propósitos.

 

Essas iniciativas mereceram boa aceitação dos participantes, do público e dos leitores, incentivando-nos a prosseguir. Colóquio: Deportados políticos e Colónias Penais em Cabo Verde Biblioteca do CCP – IC Dia 15 de Março/ 15:00 horas Assinalam-se, em 2012, cinquenta anos sobre o envio do primeiro grupo de prisioneiros políticos angolanos para o Campo do Tarrafal de Santiago, o que, junto com outras iniciativas locais em curso no âmbito dos estudos sobre a fundação e o funcionamento deste e do Campo do Tarrafal de S.Nicolau e da definição do estatuto patrimonial a conferir a ambos, abre oportunidade à realização de mais uma reflexão sobre a história recente que queremos suscitar, em parceria com importantes atores locais como são os municípios do Tarrafal de S.Nicolau, Tarrafal de Santiago, a UniCV e o Ministério da Cultura/IIPC.

 

O Colóquio “Deportados Políticos e Colónias Penais em Cabo Verde” irá, assim, reunir nos próximos dias 13 (Praia) e 15 de março (Mindelo) um conjunto de 6 investigadores que partilharão os estudos que têm desenvolvido sobre estas temáticas. Convocar a memória para história e invocar a história para a memória, como forma de servir o presente e, sobretudo, preparar o futuro.

 

Teatro:

“Bodas de Sangue”

Mindelo

23, 24 e 25 de Março

Auditório do Centro Cultural do Mindelo

21:30 h / Domingo, 20:30 h

 

Inspirado nas reportagens jornalísticas acerca de um assassinato cometido nas vésperas de um casamento, numa região rural próxima à cidade andaluza de Nijar, e munido de instrumentos dramatúrgicos definidos, herdados das tragédias gregas, Garcia Lorca aprofunda, em Bodas de Sangue, aspectos fundamentais do seu teatro - amor, liberdade, maternidade. A peça dá conta, na sua trama, das bodas que uniriam duas típicas famílias, cujo sustento provém das suas pequenas propriedades agrícolas e que procuram obter, com o casamento, a garantia de perpetuação (em termos naturais, morais e económicos) das suas castas. Sobre o fundo de uma terra castigada pelo Sol e nos limites do mundo campesino, dominado pelo valor das terras e do dinheiro e dividido por trágicas rivalidades, que se prolongam através do tempo, se desenvolve a obra.

 

Ainda no meio dos festejos do matrimónio, a Noiva consente ser raptada por Leonardo, primo com o qual, na adolescência, vivera interrompida paixão. A Mãe do Noivo - que, desde as primeiras linhas do texto, lamenta ao rememorar os falecidos homens da sua família, mortos, precisamente, pelos consanguíneos do agora raptor - convoca os presentes a, em nome da honra da sua família, sair à captura dos amantesem fuga. Aimplacável perseguição findar-se-á num duelo de punhais no qual o Noivo e Leonardo morrerão, assassinando-se mutuamente.

 

Para lá deste "rico" programa para este Março o destaque é para o Colóquio:

 

Deportados políticos e Colónias Penais em Cabo Verde com   Ana Cordeiro com Maçonaria, Degredo e Deportação em Cabo Verde no Século XIX.

  José   Cabral Investigador e Diretor do Gabinete Municipal de Desenvolvimento Local da Câmara Municipal de Tarrafal de S. Nicolau com 

Ilha de São Nicolau na rota da deportação.

 

José Soares, Investigador e Vereador da Cultura da Câmara Municipal do Tarrafal de Santiago com 'O Campo de Concentração do Tarrafal (1936-1954): A origem e o quotidiano',  José Vicente Lopes,Jornalista e investigador com 'Tarrafal. Memória e Património',  Nélida Maria Freire Brito,Docente da Universidade de Cabo Verde com 'O Tarrafal na Memória dos Prisioneiros – Realização de Cerimónia Fúnebre – 1936-54', eVíctor Barros, Investigador do CEIS 20 da Universidade de Coimbra e bolseiro de doutoramento da Fundação Calouste Gulbenkian em 'A deportação política e os seus fantasmas: modalidades, contextos políticos e memórias'. Integra ainda o programa do Colóquio a exposição A Ilha de São Nicolau na rota da deportação organizada por José J. Cabral. Tudo para este 13 de Março. Março é, pois, o mês de Mindelo demonstrar que é, na verdade, uma das capitais da Cultura Lusófona.

   

Embora considere "razoável" a cobertura e/ou divulgação que a Comunicação Social nacional faz da programação do Centro mostra "algo agastada" pelo facto de alguma imprensa "ignorar pura e simplesmente" o trabalho "desta equipa". Sem mentar de que órgão ou órgãos se trata, Ana Cordeiro deixa observar ao Jornalista que, por exemplo, o Jornal A Semana é daqueles órgãos que mal destaca as actividades do CCP-Mindelo. Como se isso não bastasse tem de se entreter, apenas, com a agenda, "quando o que queremos, propomos e defendemos é jornalismo cultural", conclui Ana Cordeiro, em tom jucoso e desafiante aos jornalistas.



publicado por Elisângelo Ramos às 11:31
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